Ontem, quando estava na fila p/ pagar uma multa de biblioteca a qual eu ñ tinha dado causa (é, foi um erro do sistema, e, como tudo nesse país, a parte + fraca paga o pato, nesse caso eu, q ñ tinha como provar o q tava dizendo), escutei, sem querer, a conversa de duas mulheres que estavam na minha frente na fila (uma delas estava grávida, c/ um barrigão enorme, mas nem por isso perdia a classe, estava toda maquiada e arrumada). Pois bem, a gravidinha estava comentando c/ a outra (q era q estava imediatamente na minha frente) q tinha trancado o curso pq estava numa gravidez de alto risco, aí ia deixar o TCC p/ depois da criança nascer. Ao q a outra comentou q tb ela, qdo estava grávida, teve complicações na gravidez, ela descobriu q tinha diabetes e foi fazer uns exames, aí qdo foi um belo dia, q ela foi p/ o hospital fazer um exame acho q d rotina, a médica disse q a filha dela ia nascer naquele momento, pois se esperasse p dia seguinte, ela nasceria morta (devido a alguma complicação por causa da diabetes, eu acredito). Pois bem, a criança nasceu e foi direto p/ a incubadora e a mãe só a viu 2 dias depois. Foi qdo a gravidinha perguntou se ela estava bem e a primeira respondeu: "Oxe, já tá c 7 anos, uma mocinha já!". Depois do "graças a Deus" da gravidinha e de amab se desejarem sorte qdo a grávida terminou de ser atendida e foi-se embora fiquei pensando na nossa condição feminina:
Explico, logo atrás de mim tinha um rapaz na fila, e, ñ pude deixar de pensar q ele talvez estivesse achando chato aquele papo de mulher, de gravidez, filhos e tal, pensando, quem sabe, "graças a Deus nunca vou ter de passar por isso" (a gravidinha comentou q tinha inchado muito e a barriga tava pesada). E eu me identifiquei c as duas bastante. Embora nunca tenha ficado grávida, um dia pretendo ter filhos e, óbivo, me solidarizo c/ os problemas femininos, muitos dos quais eu tb passo. Aliás, ontem msmo eu fui pagar aquela multa na marra, passei o dia passando mal por causa do meu descompensado fluxo menstrual, a ponto de, a maior parte do dia, ser difícil até ficar em pé de tanta dor (ñ é exagero, é verdade). Pensei tb q, se o homem soubesse o q eu tinha passado daria graças a Deus + uma vez por ñ ser mulher. Ok, sei q ñ estava dentro da cabeça do rapaz p saber o q ele estava pensando, tvez ele estivesse voando e nem ouvido nada, mas o q quero dizer é, nós mulheres passamos maus bocados e aguentamos tudo d cabeça erguida (e nem sempre é fácil. A cabeça às vezes pode até estar pendendo, mas, qdo temos uma motivação maior por trás, passamor por cima de todos os problemas e seguimos adiante _seja p/ proteger nossos filhos (o caso das duas da fila), familiares, nosso emprego, sonhos o que for_). Pense bem: se vc q me lê for mulher sabe d q estou falando: desde pequena, ainda hoje, somos, de certa forma, educadas p/ a família, p/ sermos donas-de-casa, mães, essas coisas _ ñ que isso seja uma coisa ruim, pelo contrário _ (afinal, p q vc acha q a gente brinca d boneca? Eu amava, só q pensa bem, isso ñ é já um princípio d instinto materno despertando na + tenra idade ainda q só seja percebido msmo anos + tarde?). É claro q, atualmente, somos tb educadas p/ mercado d trabalho, p/ termos nossa chance, nosso sustento, nosso ganha-pão. Mas a gente luta pelo nosso emprego sem deixar os filhos d lado, sem deixar os planos d ter uma vida a 2, msmo sabendo q, provavelmente, por + moderno q seu marido (futuro ou atual) seja, muita coisa ainda vai sobrar p/ vc _ñ, eu tb ñ sou casada, rs..._, talvez até a maioria, em especial, cuidar dos filhos e da cozinha (a ñ ser q vc seja uma sortuda q tem um chef d cozinha como companheiro, né? ;) ). E por que ñ desistimos? Por que? Porque somos vencedoras. Um homem ñ aguentaria sentir todo mês dores nas costas, nas pernas, ficar c/ os seios inchados, mal-humorado, sensível, chorando c/ qq propaganda d margarina ou c/ um desejo louco por doces originado dos seus hormônios bagunçados. Um homem ñ aguentaria passa por tudo isso e ainda ir trabalhar, ir buscar o filho na escola, preparar o almoço, trabalhar, assistir/dar aula, arrumar a casa... Ou pior, ter d fazer tudo isso c/ cólica, enjoado. Ou, até msmo, fazer tudo isso grávido! Já pensou um homem c/ um buchão, inchado, cheio de dor nas costas e nas pernas, c desejos estapafúrdios e indo trabalhar? Ñ só impossível como tb inconcebível. É por isso q eu acho q a mulher ñ conhece ainda o poder q tem. Tipo, a gente faz tudo o q os homens fazem e ainda passamos por tudo isso e usamos salto!!! Qdo vejo outras mulheres na rua, ñ encaro como rivais, sou acostumada c/ muitas mulheres em volta (Recife tem + mulher q homem, né, gente?!), tanto na sala d aula como em família, e, acho q são amigas em potenciais. Ou, pelo menos, estamos todas unidas pela mesma condição biológica/fisiológica, o q talvez, nos torne + humanas. Quem sente tanta dor se torna + sensível a dor dos outros, se torna + solidário, + cidadão, por essa razão somos tão companheiras.
Eu tinha pensado, a princípio, em escrever meio revoltada, dizendo "Ah! Por que temos q passar por isso todo mês? Por que ficamos inchadas qdo estamos grávidas, corremos o *risco de morrer qdo damos a luz entre tantas outras coisas..." . Mas acho q sei a resposta: Deus ñ dá um fardo maior do q se pode carregar, se passamos por isso, é talvez, antes, p/ sentirmos o prazer de ser mãe, a inexplicável sensação _assim comentam_ de ter um serzinho se formando dentro d vc, o qual irá, nos primeiros anos d vida, depender d tudo p vc e te terá como um anjo na Terra, um vínculo único q ninguém pode destruir por + q tente, p/ q vc veja o primeiro sorriso, os primeiros passos, entre tantas outras coisas. Um homem jamais saberá o q é isso (eu ñ sei ainda, mas acho q qdo chegar a hora vai compensar tudo q já sofri em anos de "naqueles dias") e, como disse, acredito q ñ suportaria. Então, na verdade, tvez Deus tenha querido nos dar um presente, um presente tão especial q, p/ merecermos temos q passar por tanta coisa. Acho q ser mulher é um pouco disso tudo, uma benção e ao mesmo tempo um fardo, é vislumbrar um pedacinho do paraíso sem morar mesmo nele _ enquanto em vida, isso só saberemos quando a hora chegar _, sabendo que vamos ter dias de ruins, mas que os bons compensam tudo o mais.
*o risco é pequeno, hoje em dia, mas ainda existe
PS: antes q digam q sou uma feminista doente, ñ tenho nada contra os homens, maior respeito _aliás, amo alguns, meu pai, meu irmão, mi amore..._, mas ñ consigo deixar de admirar as mulheres, afinal eu sou uma, né? ;) . Precisamos entender "que existem diferenças entre homens e mulheres que vão criar não só direitos, como comportamentos diferentes." (como disse Renata Luna no ConversadeBanheiro _aliás, adorei esse blog!! :D).
PPS: Feliz por ter criado esse blog, já vinha c/ a vontade há algum tempo, e ontem qdo aconteceu esse episódio, pensei: " q bom ñ seria se eu tivesse um lugar p/ escrever sobre isso um pouquinho..." Aí fiz, né? ^^
Ótima semana a todos e, mulheres, keep moving!!!
xero
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